E ela foi…

Minha garota está longe, me ama mas não quer me ver por tudo que a fiz sofrer.

Agora é a minha vez de esgotar lágrimas, de olhar o mundo como se não houvessem cores e almas.

E ela se foi mas continua aqui, cravada em meu peito onde tantas vezes pousou sua cabeça enquanto meus braços a envolviam.

Maldito amor que precisa de dor para me ensinar amar. Maldita dor que vem do amor que eu não soube amar.

E ela foi, mas imploro ao mundo que volte, me dê de novo um sorriso, que seja mais uma vez o alívio que preciso para esta vida que “não tem graça sem você”.

Te espero amor, aprendi o que preciso para ser para você o que foi por mim.

Te espero Jessica.

Viajando no “bom trabalho!”

Logo cedo recebo uma mensagem da namorada: “…bom trabalho!”. A minha resposta: “trabalho e bom na mesma frase? Impossível!”, mas não parou na brincadeira, trabalho é uma obrigação que nos fazem acreditar ser opção.
Sempre trabalhamos pelo nosso sustento, desde as cavernas é verdade, mas nunca foi gostoso, seja com um chicote verdadeiro e correntes nos tornozelos ou a pressão e as amarras da sociedade.
Fazer o que gosta? Mais uma mentira bem vendida, muito diferente de ganhar grana com uma diversão, tornar o que se gosta obrigação estraga tudo, não faz sentido.
Abrir uma folha com a liberdade para desenhar é diferente de pegar o lápis com parâmetros definidos, não se compara.
Eu estou indo para o trabalho e meu plano para o futuro a curto prazo perfeito com certeza inclui a hora de sair do meu martírio diário, mas, e a grana? Sentiu a obrigação? Água tem preço, comida tem preço, meios de produção tem preço, terra tem preço (Bem alto por sinal!).
Estão comprando tempo de nossa vida, mas se eu não quiser vender, eu vivo?

A Maldição (Parte 2)

Chegaram ao local onde acampariam no fim da tarde, o tempo era curto para montar as barracas então resolveram usar só a maior aquela noite. Seria apertado para os três casais mas não teriam problemas. Juntaram alguns gravetos, mas estavam muito úmidos então dois dos rapazes resolveram voltar um pouco pelo caminho para tentar encontrar lenha mais seca.
Eles não voltariam, se afastaram um do outro enquanto procuravam e não demorou para que um deles emitisse um longo grito de horror.

Continua

A maldição (Parte 1)

Aquele era um dia de diversão, os amigos acampariam perto de uma lagoa, um lugar de natureza preservada que sabiam ser proibido, mas só as placas estavam por ali e não eram o suficiente para impedí-los.
A trilha era difícil e cansativa, mas o local valia o esforço, ao menos era o que imaginavam, sem saber que a beleza do destino físico não correspondia ao tão próximo destino de suas vidas.

Continua…

Não (Completo)

- Não!!!
… Tão jovem…
… Jogou a vida fora…
- Não! Me escutem malditos!
… Que leva alguém a isso?
… Deve ser problema com mulher!

Ele gritava em vão enquanto as pessoas olhavam para seu corpo, sob a cabeça o sangue molhava os lençóis brancos, em sua mão a arma.

Ele sentia que não tinha tirado sua vida mas, ainda estava confuso como se aquilo fosse um pesadelo do qual não conseguia acordar.

Viu todo o trabalho da polícia, a maioria deles tão habituados à violência que pareciam estar passeando e não vendo o corpo de um jovem morto com apenas dezenove anos.

Não tinha lembranças que justificassem a cena à sua frente, na veerdade, não tinha nada além do que via. Seu corpo? Não, este não o pertencia mais, estaria em breve embaixo da terra para ser devorado, digerido e defecado pelos vermes, a carne consumida como em um grande banquete, então restariam os ossos que por tanto tempo o sustentaram e um dia, mesmo estes sólidos pilares deixariam de existir.

A morte, a pavorosa e temida morte chegou, mas não foi acidental e para ele, tampouco teria sido o causador.

Não tinha o que ver mais ali mas não saiu do lugar, esta definição não se aplicava mais, estava além da física, não se movia, estaria onde quisesse mas queria lugar nenhum, apenas suas lembranças mas elas não vinham.

Em seu velório a tristeza era enorme, cochichos maldosos, pessoas cumprindo um papel e tentando parecer sentir mais do que realmente sentiam enquanto outros, amigos leais e família sofriam com a precoce despedida e pareciam querer acompanhá-lo.
– Não! Eu não fiz isso!
Sua mente repetia sem parar e ele sabia que precisava descobrir a verdade, tinha que lembrar.

Aos poucos imagens de sua vida se formavam, muitas coisas que não se lembrava quando vivo, os braços acolhedores da mãe em seu primeiro contato pós nascimento, a agradável voz do pai que o confortava, o quarto sem luxo mas com muito carinho.

Aspectos desconhecidos de sua vida se tornavam claros e ele agora a assistia com uma mente não limitada pela parca capacidade humana, as pessoas ao seu redor tinham dimensões e motivações que facilitavam o entendimento de suas atitudes, não se resumiam a boas ou más pessoas.

Ele revivia importantes momentos de sua existência e aprendia ainda mais com eles, como se em vida tivesse experimentado apenas a ponta de um iceberg, passou a ser capaz de extrair o máximo de situações tidas como irrelevantes.

Sentiu a alegria da infância e o inocente pesar de seus amores não correspondidos de adolescência, descobertas e sonhos ainda não minados pelo peso da vida adulta que se mostrou um fardo repleto de convenções sociais, frases prontas, datas para guardar e compromissos inadiáveis mas sem importância real.

Aquela retrospectiva lhe mostrou muitas de suas escolhas, tentativas de fuga da pressão dos dias que considerava pesados mesmo ainda sendo jovem e este talvez fosse o problema, ainda não estava preparado para o que viria, e as escolhas erradas o conduziram à depressão, era como choro do recém nascido que sai de um mundo de segurança para o desconhecido, mas não podia abrir a boca ao mundo, não é o que se espera de um adulto.

Não era o final que definiria sua história, o trajeto fora escolhido anos atrás e as diversas rotas de fuga de um triste destino ignoradas.
Não foi a vida a responsável, não foram os maus amigos, não foram as cobranças…Ele agora sabia, não…realmente não, não era o dedo que puxara o gatilho o responsável por seu fim, eram suas escolhas e todo o caminho que trilhara.

E foi quando compreendeu isso que lembrou de ter comprado a arma…

Não (Parte 3 – Final)

Aos poucos imagens de sua vida se formavam, muitas coisas que não se lembrava quando vivo, os braços acolhedores da mãe em seu primeiro contato pós nascimento, a agradável voz do pai que o confortava, o quarto sem luxo mas com muito carinho.

Aspectos desconhecidos de sua vida se tornavam claros e ele agora a assistia com uma mente não limitada pela parca capacidade humana, as pessoas ao seu redor tinham dimensões e motivações que facilitavam o entendimento de suas atitudes, não se resumiam a boas ou más pessoas.

Ele revivia importantes momentos de sua existência e aprendia ainda mais com eles, como se em vida tivesse experimentado apenas a ponta de um iceberg, passou a ser capaz de extrair o máximo de situações tidas como irrelevantes.

Sentiu a alegria da infância e o inocente pesar de seus amores não correspondidos de adolescência, descobertas e sonhos ainda não minados pelo peso da vida adulta que se mostrou um fardo repleto de convenções sociais, frases prontas, datas para guardar e compromissos inadiáveis mas sem importância real.

Aquela retrospectiva lhe mostrou muitas de suas escolhas, tentativas de fuga da pressão dos dias que considerava pesados mesmo ainda sendo jovem e este talvez fosse o problema, ainda não estava preparado para o que viria, e as escolhas erradas o conduziram à depressão, era como choro do recém nascido que sai de um mundo de segurança para o desconhecido, mas não podia abrir a boca ao mundo, não é o que se espera de um adulto.

Não era o final que definiria sua história, o trajeto fora escolhido anos atrás e as diversas rotas de fuga de um triste destino ignoradas.
Não foi a vida a responsável, não foram os maus amigos, não foram as cobranças…Ele agora sabia, não…realmente não, não era o dedo que puxara o gatilho o responsável por seu fim, eram suas escolhas e todo o caminho que trilhara.

E foi quando compreendeu isso que lembrou de ter comprado a arma…

Não (Parte 2)

Ele sentia que não tinha tirado sua vida mas, ainda estava confuso como se aquilo fosse um pesadelo do qual não conseguia acordar.

Viu todo o trabalho da polícia, a maioria deles tão habituados à violência que pareciam estar passeando e não vendo o corpo de um jovem morto com apenas dezenove anos.

Não tinha lembranças que justificassem a cena à sua frente, na veerdade, não tinha nada além do que via. Seu corpo? Não, este não o pertencia mais, estaria em breve embaixo da terra para ser devorado, digerido e defecado pelos vermes, a carne consumida como em um grande banquete, então restariam os ossos que por tanto tempo o sustentaram e um dia, mesmo estes sólidos pilares deixariam de existir.

A morte, a pavorosa e temida morte chegou, mas não foi acidental e para ele, tampouco teria sido o causador.

Não tinha o que ver mais ali mas não saiu do lugar, esta definição não se aplicava mais, estava além da física, não se movia, estaria onde quisesse mas queria lugar nenhum, apenas suas lembranças mas elas não vinham.

Em seu velório a tristeza era enorme, cochichos maldosos, pessoas cumprindo um papel e tentando parecer sentir mais do que realmente sentiam enquanto outros, amigos leais e família sofriam com a precoce despedida e pareciam querer acompanhá-lo.
– Não! Eu não fiz isso!
Sua mente repetia sem parar e ele sabia que precisava descobrir a verdade, tinha que lembrar.

Continua…