Não (Parte 2)

Ele sentia que não tinha tirado sua vida mas, ainda estava confuso como se aquilo fosse um pesadelo do qual não conseguia acordar.

Viu todo o trabalho da polícia, a maioria deles tão habituados à violência que pareciam estar passeando e não vendo o corpo de um jovem morto com apenas dezenove anos.

Não tinha lembranças que justificassem a cena à sua frente, na veerdade, não tinha nada além do que via. Seu corpo? Não, este não o pertencia mais, estaria em breve embaixo da terra para ser devorado, digerido e defecado pelos vermes, a carne consumida como em um grande banquete, então restariam os ossos que por tanto tempo o sustentaram e um dia, mesmo estes sólidos pilares deixariam de existir.

A morte, a pavorosa e temida morte chegou, mas não foi acidental e para ele, tampouco teria sido o causador.

Não tinha o que ver mais ali mas não saiu do lugar, esta definição não se aplicava mais, estava além da física, não se movia, estaria onde quisesse mas queria lugar nenhum, apenas suas lembranças mas elas não vinham.

Em seu velório a tristeza era enorme, cochichos maldosos, pessoas cumprindo um papel e tentando parecer sentir mais do que realmente sentiam enquanto outros, amigos leais e família sofriam com a precoce despedida e pareciam querer acompanhá-lo.
– Não! Eu não fiz isso!
Sua mente repetia sem parar e ele sabia que precisava descobrir a verdade, tinha que lembrar.

Continua…

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