A Briga

Começou sem que percebessem, como o habitual, uma frase mal interpretada, palavras descuidadosamente escolhidas e pronto, todos os problemas do passado jogados nas respectivas “caras” simultâneamente como os socos daquela luta de boxe que ele perdeu para levá-la àquela festa monótona.

Irado, ele foi para o quarto. Enquanto as panelas se chovavam com o armário exatamente da forma que o irritava e certamente por este motivo. Era a “receita de bolo” da relação nos últimos tempos. Desligou a televisão, sabia que ela viria em breve, mansa, ciente de seu erro se deitaria em silêncio e depois de alguns minutos, sem graça, falaria de algo irrelevante e talvez fizessem amor…se é que poderia chamar assim o que faziam nos últimos anos.

Aguardou em silêncio, de costas para porta. Ouviu os passos dela, a presença proxima à cama, esperou sentir o colchão se afundar com o peso do qual ela reclamava exaustivamente mas não aconteceu, intrigado, virou-se e ali estava, iluminada pela luz que vinha de fora pela porta, sua mulher tremendo de ira, com uma faca na mão…

(Inspirado em um conto de Anton P. Tchékhov)