Vida, Bandida Vida – A Estagiária – Parte III

Em casa, passaram a ser dele as dores de cabeça estratégicas no fim da noite, a esposa, até então companheira e boa ouvinte, não podia ajudar com aquela luta, uma verdadeira Batalha das Termópilas ocorria em seu interior. Deitado na cama ele queria aquela mão suave com unhas pintadas de vermelho, a cor do sangue das centenas de homens que um dia lutaram por Helena, mas só por não terem uma estagiária como aquela por quem lutar.
Já estava tomado pelo desejo, e para tal mal não haveria remédio a não ser a própria causadora da aflição, uma dose cavalar daquele tormento poderia ser a solução, uma sobrecarga daquela magia poderia quebrar de vez o encanto e colocar o herói de volta nos trilhos, por mais que negasse o chamado de aventura, era agora impelido à ele como única forma de restaurar sua paz intrínseca e costumaz.
O plano estava traçado, seus instintos caçadores adormecidos voltavam a ser necessários, a missão era simples, aproximação e abate. O próximo encontro seria decisivo para seu plano de ação, não seria mais o coelhinho acuado, tomaria ele as rédeas e levaria aquele drama a um desfecho.

No dia seguinte foi a mão dele a tocar o joelho dela, mas o arrepio e as respostas fisiológicas permaneceram enquanto ela sequer esboçou reação. Aquela amálgama de Vênus, Lakshmi e Hator em um corpinho de boneca Barbie parecia ser predadora em essência preparada para qualquer golpe que o cavaleiro em sua cruzada deflagrasse, mas aquele nunca se renderia e jamais retrocederia. O próximo passo da investida foi um convite para o almoço mas o velho Barros já tinha se adiantado, ficou para o próximo dia.

Mais uma noite de inquietação e falseada dor de cabeça, da esposa, cuidados e mimos que com o sucesso da engendrada operação voltariam a ser bem quistos e acolhidos. Na esperada data, o ensejado almoço, barba feita e colônia, camisa nova e bem passada, carecia de sex appel, mas a experiência do velho beligerante de algo valeu.

A casca de impassividade da sublime estagiária começava sua derrocada.

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Vida, Bandida Vida: A Estagiária – Parte II

Estava estampado naquele rostinho de aspirante a deusa grega sua função no mundo, a destruição, de lares, de sonhos, de sono, de concentração, de desejos…afinal, que outra vontade poderia superar a ânsia de fincar ali sua bandeira como um astronauta da Apolo onze ao chegar à lua em sessenta e nove ou um alpinista que enfrenta todos os perigos e ignora o histórico de dezenas de mortes e membros amputados para atingir tal objetivo.

Ele compreendeu de uma nova forma a lei de ação e reação ao ver as mulheres enciumadas do local investirem tempo e dinheiro em roupas novas e toneladas de cosméticos. Nada capaz de transformar as já conhecidas faces em algo deslumbrante ao ponto de ofuscar a estrela do momento (Apesar da Avon afirmar o contrário). Semanas depois foi a vez dos homens (Sempre atrasados nas reações, o que evidencia que a espécie não foi extinta graças às atentas fêmeas) mas as melhorias se limitavam a barbas feitas e colônias fedorentas.

Até então passava incólume, era a gota de óleo que não se misturava a toda aquela água que rodeava e acolhia suavemente o tubarão, mas chegou o dia de testar suas convicções. Colocados lado a lado, ele, o exímio especialista em redação oficial, ela, a aprendiz distraída que ao perder um detalhe apoiava a palma da mão no joelho do mestre momentâneo para interromper e fazer perguntas. A cada toque, uma descarga elétrica percorria a espinha de nosso herói, o potencial energético daquele contato sendo comprovado por movimentos involuntários em uma extremidade oculta. O tema lhe escapava a mente, as palavras fugiam e a explicação se tornava insuficiente resultando em novas interrupções que alimentavam todo o sistema mais uma vez. A espada em riste, de forma deveras paradoxal, simbolizava o fim da brava resistência. O até então honrado guerreiro começava a sucumbir!

Vida, Bandida Vida: A Estagiária – Capítulo I

O tormento começou no trabalho, até então ele tinha uma vida tranquila como sempre desejara. A mulher, esposa maravilhosa, cuidava da casa e dele muito bem. Filhos ainda não tinham, a grana era curta, quem sabe no fim do ano viesse a promoção?
O carro velho continuava o mesmo, assim como as roupas surradas da rotina do labor.
Não havia surpresa, o plano perfeito para vida, assim como a equação que a sociedade sempre o ensinou: trabalho (duro) + família = felicidade. Faltava pouco para conseguir, ele sentia isso mas nunca reparou que a sensação seria sempre essa e que a equação passada carecia de outros elementos, apenas acreditava como a maioria e vez ou outra jogava na sena.

Estava tudo bem até a chegada dela, a estagiária, no auge dos seus dezoito anos, loira como toda “tentação de satã” deve ser, olhos azuis como o céu da forma que todo anjo deve ter, a fala melodiosa saindo da pequena e carnuda boca rosada como o canto de uma sereia, pronta para destroçar em rochas o navio de quem acreditava navegar águas seguras.
Se fosse escrever (coisa que não fazia desde o ensino médio) sobre a chegada dela, não saberia se descreveria como um furacão que sacudiu todo homem da repartição ou como uma surpresa ao pé da árvore de natal, daquelas discretas, embrulhada em um papel brilhante vermelho com laço verde tão cintilante quanto o outro.

Herói, evitou a proximidade, aquele tubarão com cara de peixinho dourado não cortaria a superfície de suas águas calmas com sua barbatana. Aquele era um cara 99,9% imune aos encantos daquela ninfa dos sonhos…malditos 0,01%.

Qual o motivo desta minha atração pelos simples traços? Um ar de lerda inteligência me fascina tanto quanto uma lâmpada ao inseto, parece transmitir o mesmo calor e faz nascer um lampejo de anseio pelos excessos da luxúria. Ela é linda em seu olhar displicente.A viagem acaba e a admiro uma última vez, cabeça encostada na janela, olhos agora fechados, como uma bela e delicada princesa adormecida. 

Apesar do fascínio, a despedida foi indolor e seguida de uma nova nano paixão, traços asiáticos, boca pequena entreaberta, visão de deliciar os olhos, mas que durou ainda menos, apenas o tempo de chegar à escadaria sem perder de vista o sofisticado corte daqueles lindos e curtos cabelos negros.

Quão perverso seria um ser superior ao criá-las tão belas e nos proibir de ter de todas um sorriso, um abraço ou um beijo ardente?

Anotações

Revendo anotações descobri textos antigos, alguns incompletos e até mesmo confusos. Vou postar aqui e se possível completar. Não se assustem com coisas inacabadas e estranhas, ok? Abraço!

Pensando…

Somos racionais?O desejo deve ser considerado pecado? Querer sentir algo único é uma falha grave de caráter ou apenas mais uma de várias e inúteis convenções sociais que nos limitam e causam frustrações? Chegar ao fim da vida sem explorar as possibilidades que se apresentam é sábio ou apenas uma mostra de que os costumes nos impedem de aproveitar nosso curto tempo de existência da melhor forma possível?

Texto qualquer

 

Este é Um texto que escrevi há algum tempo, não tem título mesmo e não quero me dar ao trabalho de escolher um.

 

Aquele dia foi o melhor da vida dele, acostumado a não ter o que comer, encontrou o que dadas suas condições, era um banquete.Dentro da embalagem metálica amassada, um bife, o sabor ainda melhor do que se lembrava, arroz, feijão e batatas, nada estragado.

Comeu com pressa, queria ter uma mesa e uma cadeira, sentar e saborear aquela dádiva que no passado seria atribuída a um deus bondoso, mas agora já sabia que a bondade desse só atingia os ricos.

Não foi só a comida que tornou especial aquele dia, uma senhora na rua o olhou e disse: Bom dia! Aquelas palavras tão comuns para outros, para ele significavam mais, ter sua existência certificada por alguém era bom, daquela forma e não a cara de desprezo padrão que recebia quando acontecia de olharem para ele.

Sentiu-se quase um cão. Absurdo dizer isto? Não, apenas a realidade, os animais despertam algo bom nas pessoas que uma mão estendida a pedir ajuda não consegue.

Vida de sofrimento, qual era seu pecado? Aos nove anos parou de pedir a deus, sabia que o único pão encontrado mofado no lixo não se multiplicaria para toda a família assim como o pouco dinheiro que o pai tinha e entregou ao pastor não voltou como bençãos, nem um saco de arroz como o pai reclamava. Agora deixava tudo no bar, não era bastante para deus nem para comida, mas dava para pinga.

A mãe desapareceu durante a noite, cansada de apanhar do marido bêbado ou morta e escondida pelo mesmo como alguns suspeitaram. Nunca soube a verdade pois a mãe nunca apareceu viva ou morta e o pai…o pai foi seu primeiro homicídio.