Qual o motivo desta minha atração pelos simples traços? Um ar de lerda inteligência me fascina tanto quanto uma lâmpada ao inseto, parece transmitir o mesmo calor e faz nascer um lampejo de anseio pelos excessos da luxúria. Ela é linda em seu olhar displicente.A viagem acaba e a admiro uma última vez, cabeça encostada na janela, olhos agora fechados, como uma bela e delicada princesa adormecida. 

Apesar do fascínio, a despedida foi indolor e seguida de uma nova nano paixão, traços asiáticos, boca pequena entreaberta, visão de deliciar os olhos, mas que durou ainda menos, apenas o tempo de chegar à escadaria sem perder de vista o sofisticado corte daqueles lindos e curtos cabelos negros.

Quão perverso seria um ser superior ao criá-las tão belas e nos proibir de ter de todas um sorriso, um abraço ou um beijo ardente?

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Texto qualquer

 

Este é Um texto que escrevi há algum tempo, não tem título mesmo e não quero me dar ao trabalho de escolher um.

 

Aquele dia foi o melhor da vida dele, acostumado a não ter o que comer, encontrou o que dadas suas condições, era um banquete.Dentro da embalagem metálica amassada, um bife, o sabor ainda melhor do que se lembrava, arroz, feijão e batatas, nada estragado.

Comeu com pressa, queria ter uma mesa e uma cadeira, sentar e saborear aquela dádiva que no passado seria atribuída a um deus bondoso, mas agora já sabia que a bondade desse só atingia os ricos.

Não foi só a comida que tornou especial aquele dia, uma senhora na rua o olhou e disse: Bom dia! Aquelas palavras tão comuns para outros, para ele significavam mais, ter sua existência certificada por alguém era bom, daquela forma e não a cara de desprezo padrão que recebia quando acontecia de olharem para ele.

Sentiu-se quase um cão. Absurdo dizer isto? Não, apenas a realidade, os animais despertam algo bom nas pessoas que uma mão estendida a pedir ajuda não consegue.

Vida de sofrimento, qual era seu pecado? Aos nove anos parou de pedir a deus, sabia que o único pão encontrado mofado no lixo não se multiplicaria para toda a família assim como o pouco dinheiro que o pai tinha e entregou ao pastor não voltou como bençãos, nem um saco de arroz como o pai reclamava. Agora deixava tudo no bar, não era bastante para deus nem para comida, mas dava para pinga.

A mãe desapareceu durante a noite, cansada de apanhar do marido bêbado ou morta e escondida pelo mesmo como alguns suspeitaram. Nunca soube a verdade pois a mãe nunca apareceu viva ou morta e o pai…o pai foi seu primeiro homicídio.

A Saga dos Doi$ Conto$

Lá estava eu, de pé sob um sol escaldante, a sede em seu ápice deixava a nítida impressão de que meu interior era uma mistura de farofa pronta e muro chapiscado. Nos bolsos a carteira com dois contos e o cartão de ônibus.

Anos atrás a nota azul seria uma dupla de verdes com as quais eu poderia comprar dois frangos assados ou quatro ovos Kinder. Boa época em que a passagem era 0,45 R$ e 100 R$ era muito dinheiro.

O tempo passou e continuava passando, eu esperando o coletivo sem saber se arriscava entrar na lanchonete e gastar aproximadamente 80% de meu reduzido capital em uma garrafa de água mineral. “Só tem gasosa” diria a garota atrás do balcão, aquela com a boca pequena demais para os 800 dentes que parece ter. Odeio gasosa mas gosto menos ainda da garganta seca e muito menos ainda de ter só dois frangos na carteira.

“Isso não é dinheiro de homem” a vó dizia para o rapaz sorridente que respondia “Dou a volta ao mundo com dois contos”, na época, duas passagens de ida e duas de volta e ainda sobravam 0,20 R$! Agora, o mundo é bem maior, muito mesmo.

Quando foi que comi areia? Se o corpo humano é 70 % água o meu era só 20 e se eu soubesse onde estavam, abriria e beberia, 1% por gole para não acabar rápido! 

Maldito calor, e eu com 2 contos, vai gasosa mesmo!

Morte na Praia (O Corpo)

O tempo estava ruim, nuvens escuras anunciavam chuva, mas resolvi caminhar bem cedo na praia, com meus chinelos nas mãos para deixar os pés em contato com a fria areia, o som das ondas me fazia relaxar até o momento que soltei um palavrão, maldita tampa de cerveja, achei melhor me calçar de novo.

Olhei o horizonte, pode parecer estranho mas, mesmo nublado, me pareceu mais belo que nos dias ensolarados, segui adiante, e contornei uma pedra grande, por um instante pensei ter flagrado uma garota fazendo topless, mas ela estava muito quieta, desmaiada? bêbada? Morta! A areia tinha sangue.

Quem faria algo assim com tão bela garota? E aquele corpo? Nem mesmo um artista grego da antiguidade seria capaz de esculpir tal perfeição, curvas e volumes genorosos, que belo corpo.

Não percebi quando outros apareceram, silenciosos, atônitos, a olhavam como um moleque que encontra seu brinquedo estragado, tinham nos olhos a vergonha de admirar uma beleza morta.

Ah, aquele corpo, mataria de inveja a garota de ipanema e inspiraria dezenas de belas canções sem que fosse possível retratar seu real esplendor.

Até mesmo os policiais pareciam pesarosos com aquela cena, nos comentários da multidão que se formou, aquela era uma prostituta da região, bem, não poderia ser diferente, um corpo como aquele tinha mesmo que ser vendido, não dava para ser ter algo assim de graça.

Passados alguns dias do ocorrido, uma manchete de jornal pôs fim ao mistério da morte da prostituta: Presa a assassina da praia.

O Calor da Chuva

Em um dia que seria apenas um de tantos, duas pessoas que talvez não pensassem seriamente na possibilidade de se tornar um casal, mas aproveitavam tudo que a companhia tinha a proporcionar, ali aos beijos na pequena praça.

Lutavam para conter impulsos que vinham da parte irracional e, por isso talvez, a mais sábia de nossa mente.

Eles estavam próximos e se sentiam incompletos, precisavam de um pouco mais um do outro, e como se de fato existisse um deus, as ruas se esvaziaram quando o céu escureceu prenunciando a tempestade, para alguns seria um claro sinal de reprovação, mas não para aqueles dois.

Não seria a água a tirá-los dali, e por isso, talvez apenas a esses amantes encharcados essa frase tenha sentido:

O calor da chuva.

Hoje é o seu dia…

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“Hoje é o seu dia, que dia mais feliz…”

Ou ao menos era pra ser, meu aniversário, comemorar mais um ano de sobrevivência, trabalhando, estudando, seguindo regras, acordando na hora, cumprindo prazos, vestindo a roupa da moda, consumindo, indo à igreja (nunca li a Bíblia…um livro que começa com bonecos de barro e cobras falantes não me prenderia a atenção, não é mesmo?), pagando contas e impostos, votando em pessoas que não confio, alimentando meu cachorro… é, finalmente algo bom, alimentar o duque era um motivo para comemorar minha vida…

“Hoje é o seu dia, que dia mais feliz!”

Índice de Contos, Crônicas e Reflexões

Para facilitar a vida dos leitores e também a minha, vou deixar esse post com os links de todos os contos do blog em ordem cronológica! Ele pode ser acessado pelo link que fica em cima (Índice Geral) e será atualizado toda vez que um novo texto for postado. Não deixe de ler e comentar cada um deles, ok? Abraço e muito obrigado pela visita!

1 – Os Perigos da Lua Cheia (Contos de Taverna)

O projeto Contos de Taverna reúne contos criados para servir de plano de fundo em um livro de fantasia medieval, mas o projeto está parado :(.

2 – A Premonição

Esta é uma história que faz parte do meu livro Zumbis: Epidemia Mortal, segundo título da Série Zumbis.

3 – Na Estação

O primeiro dos meus contos inspirados em situações cotidianas.

4 – Rede dos Desejos

Sobre um relacionamento em decadência e a internet.

5 – Conto de Um Qualquer – Reflexões

Pensamentos mórbidos.

6 – Casamento da Princesa – Falsa Promessa nos Contos de Fada

Uma crônica onde falo dos contos de fada e sua influência nas relações das mulheres. Obs: O personagem/ Narrador é uma mulher.

7 – O Cavalo Azul (Contos de Taverna)

O projeto Contos de Taverna reúne contos criados para servir de plano de fundo em um livro de fantasia medieval. Este foi criado ao acaso (estilo repente…rs) e o coloquei entre os demais do projeto, é uma estória infantil e como o anterior (Perigos da Lua Cheia) procura dar explicações para fenômenos e particularidades da natureza em um mundo de conhecimento científico bastante limitado.

8 – Perdido

Conto sobrenatural.

9 – Mais um Dia

Crônica.

10 – Escuro

Crônica/ Reflexão sobre a condição humana.

11 – A Sutil Arte de Jogar Merda no Ventilador

Poema cômico.

12 – Virei Bruxo

Texto ganhador da segunda colocação no Concurso Desventuras em Books.

13 – Dia de Decisão

Conto sobre futebol e violência.

14 – Eu Zumbi, Você Zumbi…Nós Zumbis.

Reflexão sobre a realidade dos Zumbis, ou será a nossa?

15 – Quero Dormir

Reflexão.

16 – Reflexos

Conto de terror.

17 – O Tempo e os Erros

Reflexão.

18 – Quem Quero Ser

Reflexão.

19 – Hoje é o seu dia

Crônica sobre aniversário.

20 – O Calor da chuva

Crônica.

21 – O Medo da Morte

Reflexão.

22 – Morte na Praia (O Corpo)

Crônica sobre a valorização do corpo e banalização da violência.