Sorriso Falso

Estranho, realmente estranho e parece que só eu que acho!

Desde que me lembro, sou incapaz de exibir os dentes de forma não espontânea para uma fotografia. Me causa estranheza, até mesmo incômodo,  ver a naturalidade com que isso acontece.

Não, não é absurdo eu sei, o mundo tem grandes mazelas e problemas realmente sérios, (religião por exemplo) mas este é como uma lasquinha de madeira embaixo da unha, sabe? Coisa pouca, mas incomoda.

Talvez exista uma origem lógica para tal hábito como os escravos mostrando dentes para o comprador ou uma explicação da antropologia, psicanalise, filosofia e etc, algo como a necessidade de se mostrar feliz para simbolizar sucesso na vida ou minimizar os fracassos, enfim, não passa de um sorriso falso que veremos aos montes nos “faces da vida”.

A vida que me prende

Hoje me levantei, fiz as mesmas coisas que fiz ontem, talvez em outra ordem, não lembro, mas, automaticamente e sem pensar, por ser exatamente o que faço de segunda à sexta-feira, até os atrasos e lamentações tem sido os mesmos. Qual o sentido disso? Talvez para os religiosos seja fácil suportar, para eles é como esperar a chegada das férias, mas, promessas vazias não me enganam, estou aqui para viver e sinto que não tenho feito isso.

Me alimento com o que sei que me faz mal por não ter tempo ou ser preguiçoso demais para me cuidar, sei que preciso de atividade física, mas até a mental tem me cansado, vivo um teatro, onde o papel já está definido e não se tem espaço para o improviso. A arte é vida mas a vida está longe da beleza expressada por um artista.

A morte um dia chegará, estarei eu satisfeito com o que fiz até lá? Meu maior temor não é encontrar o fim, mas ser esquecido, isso apavora. Quantos bilhões de anônimos passaram por este planeta? Não quero ser um deles. Pode parecer confuso mas, tampouco desejo ter fama. Falo desta fama efêmera, da “modinha”, enfim, quero significar algo na vida das pessoas e esse algo é o que ainda não tive o prazer de descobrir.

Estou preso à vida sem acreditar que exista algo além da morte, não verei o que acontece aqui quando aqui não mais estiver. Não serei alma, não serei estrela, não encontrarei paz em um paraíso nem tormento eterno em um mar de chamas, meus êxitos serão aqui, os sofrimentos também. A vida que me prende é um tesouro e um lamento, uma única chance de fazer dar certo.

Viajando no “bom trabalho!”

Logo cedo recebo uma mensagem da namorada: “…bom trabalho!”. A minha resposta: “trabalho e bom na mesma frase? Impossível!”, mas não parou na brincadeira, trabalho é uma obrigação que nos fazem acreditar ser opção.
Sempre trabalhamos pelo nosso sustento, desde as cavernas é verdade, mas nunca foi gostoso, seja com um chicote verdadeiro e correntes nos tornozelos ou a pressão e as amarras da sociedade.
Fazer o que gosta? Mais uma mentira bem vendida, muito diferente de ganhar grana com uma diversão, tornar o que se gosta obrigação estraga tudo, não faz sentido.
Abrir uma folha com a liberdade para desenhar é diferente de pegar o lápis com parâmetros definidos, não se compara.
Eu estou indo para o trabalho e meu plano para o futuro a curto prazo perfeito com certeza inclui a hora de sair do meu martírio diário, mas, e a grana? Sentiu a obrigação? Água tem preço, comida tem preço, meios de produção tem preço, terra tem preço (Bem alto por sinal!).
Estão comprando tempo de nossa vida, mas se eu não quiser vender, eu vivo?

A bagunça na cozinha atrapalhou a Copa

A copa acabou deixando um gosto amargo para muitos brasileiros. Obras superfaturadas, acidentes fatais e a disseminação mundial do conhecimento de nossa incompetência.

Tudo isso é ruim, mas (infelizmente) não incomodaria se tivéssemos sido campeões, um pouco menos se uma vingança contra a Holanda nos rendesse um terceiro lugar. De repente, até se tivéssemos tombado com um filho que não foge a luta e nem teme a quem te adore a própria morte, de forma honrosa e fazendo jus ao não desisto nunca que um dia acompanhou nossa condição de brasileiros, não teríamos ficado com essa estranha sensação de…acho que isso não tem nome ainda…vou chamar essa sensação de “gostinho de Mineirazzo”.

A vitória maiúscula dos alemães mostrou deficiências táticas e técnicas do nosso futebol? Talvez seja um exagero dizer isto. Os derrotados foram apenas 20 e poucos jogadores, temos muito mais que isso, afinal, o futebol faz parte de nossas vidas, talentos estão em todos os cantos, só nos falta a disciplina, aprender que resultados vem com seriedade e trabalho.

Vale lembrar sempre que estamos falando de esporte, sete gols não deveriam ser motivo para tamanho embaraço, mas vivemos em um país frustrado por sua grandeza castrada por uma histórica cultura de improviso e corrupção e nossa válvula de escape sempre foi o futebol, o momento em que podemos nos sentir no lugar de destaque que deveríamos ter. Essa importância pode ser vista em momentos de derrota onde várias teorias de conspiração surgem como justificativa ao fracasso. Não, não fomos comprados, fomos superados pela competência que nos falta e aceitar isso é o primeiro passo para o crescimento, no futebol e na vida!

Sejamos sempre brasileiros, sejamos sempre lutadores, sejamos humildes para reconhecer que coube à Alemanha o título de país do futebol em 2014 e que nos reste o orgulho de ter superado as expectativas pessimistas para este grandioso evento, apesar da famosa e agora mundialmente conhecida incompetência de nossos governantes.

A abertura foi um fiasco, o encerramento poderia ter passado melhor sem a presença do maior símbolo de regresso do país (Sim, estou falando da presidANTA que foi estudANTA e que não deve ter tido o prazer de ser pacienta em um hospital do SUS!), mas mesmo assim, os turistas foram bem recebidos, as seleções se sentiram bem aqui e o nosso time foi um ótimo anfitrião, afinal, quem é que serve um banquete de 7 pratos ao convidado? Se empanturraram tanto que no ápice da festa, um só foi suficiente!

Viva a Alemanha pelo show de futebol e humildade! Danke schön pela lição dada ao nosso país!