A Velha

Aquele era um dia qualquer, mais uma vez eu estava no ponto de ônibus, sozinho por ter extrapolado em alguns minutos o horário de sair da cama. Da mesma forma o transporte parecia ter dormido um pouco mais.Olhei o meu relógio, eram oito e vinte, a rua vazia à minha frente não combinava com o horário. Seria um feriado? Ou talvez meu relógio estivesse errado. Foi no momento em que este estranhamento me atingiu que senti sua presença.

Virei o pescoço e percebi a velha, seu rosto descarnado deixava perceptível o contorno dos ossos, os olhos fundos e estranhamente escuros me fitavam. Desviei o olhar realmente incomodado.

Voltei a olhar o relógio, oito e vinte…estava parado? Não…parecia funcionar, mas os segundos no mostrador digital passavam: cinquenta e um, cinquenta e dois, cinquenta e três…cinquenta e sete, cinquenta e um. 

O relógio não funcionava, mas não era só ele, o mundo ao meu redor parecia morto…morto…foi quando pensei na palavra que me dei conta…eu sabia quem era a velha.

A Maldição (Parte 2)

Chegaram ao local onde acampariam no fim da tarde, o tempo era curto para montar as barracas então resolveram usar só a maior aquela noite. Seria apertado para os três casais mas não teriam problemas. Juntaram alguns gravetos, mas estavam muito úmidos então dois dos rapazes resolveram voltar um pouco pelo caminho para tentar encontrar lenha mais seca.
Eles não voltariam, se afastaram um do outro enquanto procuravam e não demorou para que um deles emitisse um longo grito de horror.

Continua

A maldição (Parte 1)

Aquele era um dia de diversão, os amigos acampariam perto de uma lagoa, um lugar de natureza preservada que sabiam ser proibido, mas só as placas estavam por ali e não eram o suficiente para impedí-los.
A trilha era difícil e cansativa, mas o local valia o esforço, ao menos era o que imaginavam, sem saber que a beleza do destino físico não correspondia ao tão próximo destino de suas vidas.

Continua…

O último sorriso

Aquela não foi uma viagem programada, apesar da insistência dos pais para que ficasse, ele quis ir.

No caminho, um caminhão, o motorista, senhor João, cansado da pesada rotina de quem cruza as estradas, não conseguiu manter abertos os olhos, “Foi apenas um segundo” ele diria mais tarde.

Quatro jovens, três já sem vida, jogados pelo asfalto, o sangue parecia refletir a luz da lua e ele ainda respirava.

No hospital, a mãe estava desesperada, ele era tão jovem, um garoto bom, cheio de planos, como acreditar em justiça se ele partisse?

Os dias passavam e não havia melhora, todos os santos foram clamados, orixás e curas espirituais também, deixou parte de seu dinheiro suado nas mãos de pastores, mas nada aconteceu.

Ela o queria de volta, são e salvo, então uma ideia lhe surgiu à mente, o até então inominável foi evocado e em três dias os olhos do rapaz se abriram a fazendo sorrir pela última vez.

Reflexos – Completo

A nova casa era linda, muito grande, eu teria agora um quarto só para mim, com uma grande janela que dava para rua. Aquele era um bairro calmo, do jeito que o papai queria, eu e meu irmão poderíamos brincar na rua.

No dia seguinte fomos para a escola nova, eu estava na sétima série, meu professor de história se parecia com o Senhor Burns do desenho dos Simpsons, segurei para não rir.

Na hora do recreio, duas garotas se sentaram comigo, não entendi a cara de espanto delas quando falei que tínhamos nos mudado para aquela casa.

Durante todo o dia me perguntei qual seria o motivo, talvez fosse uma casa muito cara, afinal, era a maior nas redondezas e ficaria maravilhosa após as reformas.

No final de semana, resolvi terminar de organizar minhas coisas, eu tinha um grande armário embutido onde podia guardar muito mais do que eu possuía. Ao colocar alguns livros, percebi no fundo, um quadrado, parecia desenhado, mas, ao passar o dedo, percebi que havia uma  fresta, tentei puxar, ele cedia pouco, se movimentando para os lados. Minha mãe nos chamou para comer, e deixei de lado o interessante quadrado.

Mais tarde, com ajuda do meu irmão, descobri que era uma gaveta secreta, ela se abriu quando ele pressionou o quadrado, era um mecanismo de pressão, ficamos muito excitados com aquilo, mas a empolgação diminuiu quando vimos que o que estava guardado ali era apenas um par de chaves velhas e enferrujadas que não combinavam com nenhuma fechadura da casa.

O mistério do quadrado parecia resolvido, até o dia em que encontrei uma fechadura onde ela não deveria existir.

No porão, escondida no canto de uma parede estava a fechadura, subi as escadas correndo e peguei as chaves na gaveta secreta, estava muito curiosa, outro segredo na casa, o que seria?

Coloquei a chave e girei, tenho que admitir que tinha um pouco de medo, o canto onde estava era pouco iluminado. A princípio houve resistência, mas aos poucos a chave foi girando e uma porta oculta se abriu para revelar algo inesperado, era um grande espelho, do tamanho da parede, com uma fechadura no meio e um aspecto muito antigo, seria outra porta? O mais estranho é que eu não tinha reflexo. Usei a segunda chave, ela girou, escutei um clique, mas nada aconteceu, apenas senti um calafrio.

Os dias que se seguiram foram os piores de nossas vidas, por algum motivo obscuro eu não conseguia falar sobre o espelho com ninguém, por mais que quisesse contar, quando me aproximava das pessoas eu simplesmente esquecia este assunto.

Quatro dias após eu tentar abrir a estranha fechadura, meu irmão foi encontrado caído na frente da casa, ele estava desacordado e foi levado ao hospital em uma cidade vizinha, uma garota disse que o viu se esticando para fora da janela do sótão, ele parecia tentar alcançar algo que ela não conseguiu ver, quando se desequilibrou e caiu, uma queda de quase dez metros.

Todos os dias eu descia até o porão e olhava o espelho, em um deles, me surpreendi ao ver nitidamente um pássaro preto no reflexo, ao olhar para trás, ele não estava lá, procurei pelos cantos e não o encontrei, pensei que fosse apenas uma impressão, mas ao chegar ao meu quarto, me deparei com um pássaro negro como o do espelho, morto no carpete.

Não entendi o que estava acontecendo, o que significava aquilo, mas as coisas ficaram claras quando, no dia seguinte, vi meu irmão no reflexo.

Ele ainda estava em coma no hospital.

Horas depois de ver meu irmão no espelho, ele morreu. Fui a última a saber, mas no fundo, já temia que acontecesse, já que o pássaro que apareceu no espelho teve o mesmo destino. Eu continuava sem conseguir falar sobre isso, por algum motivo estranho, era impossível falar sobre ele.

Meus pais não falaram muito após o enterro, minha mãe culpava meu pai por nos ter tirado da antiga casa e também por não ter colocado as grades na janela logo após a mudança, eu a ouvi falar sobre isso com minha tia ao telefone. Ele por sua vez, permanecia trancado em seu escritório, dias se passaram sem que eu o visse, até que ele apareceu, no espelho do porão.

Após tentar abrir a fechadura do espelho, meu mundo virou de pernas para o ar, perdi meu irmão e logo depois meu pai, que foi encontrado em seu escritório após uma overdose de antidepressivos e bebidas, aquilo não parecia real, logo ele que não gostava de tomar remédios.

A dor era enorme, minha vó veio passar alguns dias conosco e sua presença nos trouxe algum conforto.

Os vizinhos nos olhavam com pena, mas, estranhamente, não se aproximavam da casa, alguns paravam minha mãe e ofereciam ajuda, mas, mesmo sendo convidados, nunca vinham.

Eu sentia que problema estava no espelho, eu sabia mas não conseguia falar sobre ele com ninguém, resolvi escrever, mas ao ler o texto, duvidei de minha própria sanidade.

Só existia uma solução e decidida, desci novamente ao porão levando um martelo, quando parei de frente à ele não tinha ninguém no reflexo, mas, um pequeno ponto veio se aproximando, depois outros, aos poucos percebi que eram pessoas, muitas, algumas com roupas antigas e outras nem tanto, vi meu irmão e meu pai, meu coração acelerou e deixei cair o martelo quando percebi que eu estava ao lado deles.

Meu livro no Goodreads

Zumbis

Zumbis by Oafson Samurn

My rating: 5 of 5 stars

Zumbis surgiu como resposta à solicitação dos leitores por um livro com mais páginas, apesar de terem gostado do primeiro livro (Zumbis: Terror no Hospital), apontaram como principal falha seu tamanho reduzido (o objetivo era com isso, atrair novos leitores, mas aumentou o custo de produção deixando o livro com um preço maior do que eu gostaria que tivesse). Sendo assim, uni em apenas um livro os dois títulos da série Zumbis: Terror no Hospital e Epidemia Mortal.
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