Vida, Bandida Vida: A Estagiária – Capítulo I

O tormento começou no trabalho, até então ele tinha uma vida tranquila como sempre desejara. A mulher, esposa maravilhosa, cuidava da casa e dele muito bem. Filhos ainda não tinham, a grana era curta, quem sabe no fim do ano viesse a promoção?
O carro velho continuava o mesmo, assim como as roupas surradas da rotina do labor.
Não havia surpresa, o plano perfeito para vida, assim como a equação que a sociedade sempre o ensinou: trabalho (duro) + família = felicidade. Faltava pouco para conseguir, ele sentia isso mas nunca reparou que a sensação seria sempre essa e que a equação passada carecia de outros elementos, apenas acreditava como a maioria e vez ou outra jogava na sena.

Estava tudo bem até a chegada dela, a estagiária, no auge dos seus dezoito anos, loira como toda “tentação de satã” deve ser, olhos azuis como o céu da forma que todo anjo deve ter, a fala melodiosa saindo da pequena e carnuda boca rosada como o canto de uma sereia, pronta para destroçar em rochas o navio de quem acreditava navegar águas seguras.
Se fosse escrever (coisa que não fazia desde o ensino médio) sobre a chegada dela, não saberia se descreveria como um furacão que sacudiu todo homem da repartição ou como uma surpresa ao pé da árvore de natal, daquelas discretas, embrulhada em um papel brilhante vermelho com laço verde tão cintilante quanto o outro.

Herói, evitou a proximidade, aquele tubarão com cara de peixinho dourado não cortaria a superfície de suas águas calmas com sua barbatana. Aquele era um cara 99,9% imune aos encantos daquela ninfa dos sonhos…malditos 0,01%.

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Distribuir o amor

Qual o problema em gostar de todas?

 Cada uma com seu particular e delicioso sorriso, aquele olhar que diz (quase) tudo e os acessos de raiva que terminam em beijos.

Que mal faz querer ter de todas o carinho reconfortante e um sorriso de cumplicidade?

De quem é a lei que me faz ser privado do doce sabor de ter a todas em meu abraço protetor? Afinal, isso não seria distribuir o amor?

 

Texto sem título

 

A vida é imprevisível, caprichos do destino nos afastam ou nos aproximam da felicidade sem que se possa fazer muito e é sobre isso que escrevo hoje, a história que pode ter acontecido, estar acontecendo ou vir a acontecer com duas pessoas. Encontros e desencontros que a vida proporciona.

Ele já não era tão jovem enquanto ela, começava a descobrir a vida, se preparando para um futuro que já era o presente dele.

Personalidades distintas em dois corpos fisicamente distantes, mas, aproximados virtual e repentinamente pelos cabos e ondas da tecnologia moderna.

As noites em preto e branco do passado, passaram a ter cores alegres e a realidade pôde ser burlada pela antiga porém poderosa, magia das palavras.

Ele a despertou, ela o acalmou. Nos maravilhosos momentos de uma união impossível pela distância, se sentiram juntos para depois se separarem, cada qual inserido novamente no tom cinzento de um frio cotidiano.

Talvez esta história tenha chegado ao fim ou apenas a seus primeiros capítulos, não é possível saber o que guarda o amanhã, mas, alguns momentos ficarão marcados para sempre, afinal, não existe passado, presente ou futuro para o que é eterno.

Amor à primeira vista!

Se sentia como se não devesse ter levantado da cama, mesmo o colchão sendo velho e deixando o corpo todo dolorido.

As noites passavam tão rápido como os momentos felizes que ficavam cada dia mais distantes no tempo.

Seguiu até o ponto de ônibus, foi quando a viu, amor à primeira vista, o brilho no olhar era cativante e sua feição demonstrava a mesma solidão que ele sentia, aproximou-se e a trouxe aos seus braços, ela não ofereceu resistência, como se já o conhecesse, lambeu-lhe o rosto e balançou o rabo alegremente.

Não foi ao trabalho, ao inferno com o patrão, a meses prometera um aumento e a única coisa que cresceu foi a quantidade de tarefas, inventaria uma desculpa qualquer, ele precisava cuidar de sua nova amiga.

Ela estava limpa, tinha uma coleira cor de rosa que se destacava em meio aos pelos de um tom creme. Deu a ela o que comer e passou toda a tarde brincando e curtindo a companhia da cadelinha.

No dia seguinte, tentou se levantar sem acordá-la, mas foi em vão, se separaram com dificuldade, mas o dia estava melhor, essa impressão durou até que chegasse ao ponto de ônibus e visse ela novamente, em uma bela foto no cartaz de procura-se.

Passou todo o dia criando coragem, talvez devesse ficar com ela, o destino os fez se encontrarem, se o dono a deixou fugir não era bom, tentou em vão arranjar uma justificativa que o livrasse do peso na consciência, mas não conseguiu.

Telefonou e combinou a devolução, por ironia, no mesmo ponto onde a encontrou e viu o cartaz. Caminhar com ela nos braços foi difícil, a dona ainda não estava lá, pensou em fugir, foi quando a viu, caminhando em sua direção com a roupa que ela avisou que usaria…foi amor à primeira vista.