Vida, Bandida Vida: A Estagiária – Capítulo I

O tormento começou no trabalho, até então ele tinha uma vida tranquila como sempre desejara. A mulher, esposa maravilhosa, cuidava da casa e dele muito bem. Filhos ainda não tinham, a grana era curta, quem sabe no fim do ano viesse a promoção?
O carro velho continuava o mesmo, assim como as roupas surradas da rotina do labor.
Não havia surpresa, o plano perfeito para vida, assim como a equação que a sociedade sempre o ensinou: trabalho (duro) + família = felicidade. Faltava pouco para conseguir, ele sentia isso mas nunca reparou que a sensação seria sempre essa e que a equação passada carecia de outros elementos, apenas acreditava como a maioria e vez ou outra jogava na sena.

Estava tudo bem até a chegada dela, a estagiária, no auge dos seus dezoito anos, loira como toda “tentação de satã” deve ser, olhos azuis como o céu da forma que todo anjo deve ter, a fala melodiosa saindo da pequena e carnuda boca rosada como o canto de uma sereia, pronta para destroçar em rochas o navio de quem acreditava navegar águas seguras.
Se fosse escrever (coisa que não fazia desde o ensino médio) sobre a chegada dela, não saberia se descreveria como um furacão que sacudiu todo homem da repartição ou como uma surpresa ao pé da árvore de natal, daquelas discretas, embrulhada em um papel brilhante vermelho com laço verde tão cintilante quanto o outro.

Herói, evitou a proximidade, aquele tubarão com cara de peixinho dourado não cortaria a superfície de suas águas calmas com sua barbatana. Aquele era um cara 99,9% imune aos encantos daquela ninfa dos sonhos…malditos 0,01%.

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A Maldição (Parte 2)

Chegaram ao local onde acampariam no fim da tarde, o tempo era curto para montar as barracas então resolveram usar só a maior aquela noite. Seria apertado para os três casais mas não teriam problemas. Juntaram alguns gravetos, mas estavam muito úmidos então dois dos rapazes resolveram voltar um pouco pelo caminho para tentar encontrar lenha mais seca.
Eles não voltariam, se afastaram um do outro enquanto procuravam e não demorou para que um deles emitisse um longo grito de horror.

Continua

Não ( Parte 1)

Não!!!
… Tão jovem…
… Jogou a vida fora…
Não! Me escutem malditos!
… Que leva alguém a isso?
… Deve ser problema com mulher!

Ele gritava em vão enquanto as pessoas olhavam para seu corpo, sob a cabeça o sangue molhava os lençóis brancos, em sua mão a arma.

Continua…

Índice de Contos, Crônicas e Reflexões

Para facilitar a vida dos leitores e também a minha, vou deixar esse post com os links de todos os contos do blog em ordem cronológica! Ele pode ser acessado pelo link que fica em cima (Índice Geral) e será atualizado toda vez que um novo texto for postado. Não deixe de ler e comentar cada um deles, ok? Abraço e muito obrigado pela visita!

1 – Os Perigos da Lua Cheia (Contos de Taverna)

O projeto Contos de Taverna reúne contos criados para servir de plano de fundo em um livro de fantasia medieval, mas o projeto está parado :(.

2 – A Premonição

Esta é uma história que faz parte do meu livro Zumbis: Epidemia Mortal, segundo título da Série Zumbis.

3 – Na Estação

O primeiro dos meus contos inspirados em situações cotidianas.

4 – Rede dos Desejos

Sobre um relacionamento em decadência e a internet.

5 – Conto de Um Qualquer – Reflexões

Pensamentos mórbidos.

6 – Casamento da Princesa – Falsa Promessa nos Contos de Fada

Uma crônica onde falo dos contos de fada e sua influência nas relações das mulheres. Obs: O personagem/ Narrador é uma mulher.

7 – O Cavalo Azul (Contos de Taverna)

O projeto Contos de Taverna reúne contos criados para servir de plano de fundo em um livro de fantasia medieval. Este foi criado ao acaso (estilo repente…rs) e o coloquei entre os demais do projeto, é uma estória infantil e como o anterior (Perigos da Lua Cheia) procura dar explicações para fenômenos e particularidades da natureza em um mundo de conhecimento científico bastante limitado.

8 – Perdido

Conto sobrenatural.

9 – Mais um Dia

Crônica.

10 – Escuro

Crônica/ Reflexão sobre a condição humana.

11 – A Sutil Arte de Jogar Merda no Ventilador

Poema cômico.

12 – Virei Bruxo

Texto ganhador da segunda colocação no Concurso Desventuras em Books.

13 – Dia de Decisão

Conto sobre futebol e violência.

14 – Eu Zumbi, Você Zumbi…Nós Zumbis.

Reflexão sobre a realidade dos Zumbis, ou será a nossa?

15 – Quero Dormir

Reflexão.

16 – Reflexos

Conto de terror.

17 – O Tempo e os Erros

Reflexão.

18 – Quem Quero Ser

Reflexão.

19 – Hoje é o seu dia

Crônica sobre aniversário.

20 – O Calor da chuva

Crônica.

21 – O Medo da Morte

Reflexão.

22 – Morte na Praia (O Corpo)

Crônica sobre a valorização do corpo e banalização da violência.

Dia de decisão

Futebol-Bola

Aquele era um dia de festa, meu time, o glorioso tricolor, em ótima fase, disputaria a final do campeonato contra nosso maior rival. Em campo teríamos o super craque Norberto Pedalada, Carlinhos a revelação do campeonato, Pedrão e Beto, a dupla de zaga da seleção e o experiente goleiro Pantera, esses os principais, mas, o time todo estava perfeito, funcionava como um relógio, cada peça desempenhava seu papel, sentíamos que o título era nosso e o jogo uma mera formalidade.

Todos os ingressos vendidos, o meu já estava comprado e separada sobre a cama estava a minha camisa da sorte com o número onze do Pedalada, artilheiro da competição com 13 gols.

A ansiedade era enorme, não via a hora de começar o jogo, o grito de campeão entalado na garganta. Escondi a camisa na mochila, meu pai não sabia que eu ia ao jogo, ele sempre disse que era perigoso ir ao clássico, imagine se soubesse que eu iria para aquele que era um decisão? Eu não me preocupava, fazia parte da Força Tricolor a maior torcida organizada do glorioso.

No ônibus, cantávamos, empolgação total: É campeão! É campeão! E continuou assim até o estádio, os jogadores entrando de mãos dadas ouvindo o hino vindo das arquibancadas, eu tentava imaginar como eles se sentem lá embaixo. Não paramos, vibrando durante todo o primeiro tempo, apesar do zero a zero, o Tricolor tinha o jogo nas mãos, o gol logo sairia, na torcida, muitas faixas de campeão antecipavam o resultado.

No segundo tempo o jogo ficou mais difícil, eles se defendiam, jogo covarde, retranca e muitas faltas, mesmo assim, Pedalada em um momento de inspiração fez valer sua habilidade, driblou dois defensores e ia fazer um golaço quando foi derrubado pelo goleiro…Pênalti claro, e o juiz apitou! A torcida vibrou e já fazia festa, o artilheiro ajeitou a bola, tomou distância e partiu para cobrança, com categoria, o goleiro caiu para direita e a bola segui para o lado esquerdo e caprichosa, tocou a trave e saiu pela linha de fundo, inacreditável.

Continuamos mandando no jogo, mas, aos quarenta e três minutos, quando parecia que eles queriam para levar a decisão para prorrogação, Carlinhos prendeu demais a bola e foi desarmado, o contra-ataque foi veloz, um cruzamento rasteiro e o chute, Pantera foi nela, se esticou, mas, a bola passou por ele e parou no fundo das redes…Silêncio total do nosso lado, no campo, o time se desestabilizou, por uma entrada dura, Beto foi expulso, mesmo assim, os bravos tricolores partiram pro ataque, continuamos com esperança, mas, não deu, fim do jogo.

Do lado de lá, comemoração e gozações, do nosso, a raiva: “Juiz ladrão, tenho certeza que não foi impedimento naquele lance do primeiro tempo, era gol certo!”, “Teve invasão na hora do pênalti, tinha que ter anulado a cobrança”.

Na volta para casa, revolta, três caras vinham na rua, um deles com a bandeira do adversário, exibiam um sorriso idiota na cara, por dentro, debochavam dos tricolores, eu tinha certeza! Mas não ficaria barato, éramos a Força Tricolor, ninguém faz pouco caso de nós, partimos pra cima e quando tentaram reagir, era tarde, estavam cercados. “Calma” um deles pediu, respondemos com chutes e socos, nossas mãos e pés carregavam a frustração pelo pênalti perdido, a bola roubada e o gol sofrido.

Dois deles fugiram, o que ficou não parecia que se levantaria, mas conseguiu abrir sua mochila, enfiou a mão lá dentro e puxou o que não esperávamos:

Uma camisa onze tricolor do Pedalada.

Virei Bruxo (Texto ganhador da segunda colocação no Concurso Desventuras em Books)

A persiana não estava totalmente aberta, os raios de sol se infiltravam pelas frestas e insistiam em me dizer que era hora de me levantar, sem pressa, caminhei até o banheiro, em meio a um bocejo, emiti um som estranho e quase caí para trás quando o espelho se rachou na horizontal, parecia uma cena de filme de terror, minha mente buscou explicações, não as encontrei, mas, devia existir um motivo, tentei reproduzir o ruído, sem sucesso, talvez fosse uma coincidência, eu precisava de um novo espelho. Alguns dias se passaram sem novos incidentes, mas, as coisas pioraram quando tossi fogo, isso mesmo, tossi uma labareda azulada que chamuscou minha mão, e, segundo depois o telefone tocou, era minha tia avó Neli, ela falava muito rápido e só entendi que ela estava chegando em breve e que eu não precisava me preocupar, tomei outro susto quando, logo após colocar no gancho o telefone, bateram na porta e a vi pelo olho mágico, se não tivesse visto o número da casa dela pelo identificador de chamadas, teria achado que ela tinha ligado de um celular.
Nossa conversa foi estranha, ela me disse que um poder milenar tinha ressurgido em mim, e que a cada geração, apenas um ou dois de nossos familiares nascia com este dom, eu ainda estava resistente quando ela “tossiu” fogo para o alto.
– Somos bruxos, estou aqui para ajudá-lo a se acostumar com seus poderes!
Foi uma mudança radical no meu conceito de mundo, mas, desde então, tenho usufruído de poderes inimagináveis e que ficam cada vez mais fortes, viajo por todo o mundo simplesmente me materializando onde quero, posso ir ao fundo do mar absorvendo o oxigênio da água, entendo os animais, não preciso trabalhar pois posso simplesmente te fazer ter vontade de me dar seu dinheiro ou posso entrar em uma loja e sair com muitos presentes, sei que não é bonito, mas, isso não é um livro, se tenho poderes é para usá-los, não seria inteligente ter tudo isso e continuar em uma cabine de telemarketing, né?

 

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Fiquei muito feliz ao receber hoje o prêmio pelo segundo lugar que foi criado para me parabenizar pelo texto criado para um concurso que teria apenas um vencedor.

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A proposta era : “…Quem escolher essa proposta vai ter que nos contar em um parágrafo o que faria se descobrisse ser um bruxo. Use da imaginação e boa sorte!…”

Mais uma vez agradeço às garotas do Desventuras em Books e indico o blog para todos os amantes da leitura!

http://desventurasembooks.wordpress.com/

Mais um dia

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Acordar cedo,

Tomar banho,

Tomar café,

Olhar relógio,

Atrasado,

Juntar coisas,

Correr para o ponto.

O ônibus chega, mas pode ser confundido facilmente com uma lata de sardinhas, algumas gordas, outras magras, sardinhas educadas e  sardinhas que sequer sabem o que é educação, algumas também não sabem o que é banho. Trânsito infernal para começar bem o dia, que inveja das motos, ainda compro uma, no dia que as contas derem trégua.

Trabalho,

Pessoas sorriem mas, se preciso for, lhe enfiam uma faca quando menos espera. Eu devia ter suspeitado que aquele trânsito infernal me traria direto para casa do capeta.

Almoço,

Comida caseira em um restaurante que definitivamente não é minha casa, que diabos entendem por caseira? Desconhecidos ao meu redor, mais comum sentar com eles à mesa do que com minha família. Ver muito os familiares  significa não ganhar não ganhar dinheiro, não trabalhar é ser visto como vagabundo pelos mesmos familiares, a não ser que seja rico,  mas, se alguém de fato ficou rico trabalhando, não fui eu.

Depois de comer, preguiça, pouco trabalho, muito pra fazer, mas pouca disposição para isto.

Internet,

Paraíso e perdição da modernidade, em minutos, acesso a tudo que ocorre no mundo, mas, o tudo é relativo, pouco se busca sobre a ciência, filosofia e política, as fofocas, mulheres, futebol e às vezes tudo isso junto, chamam mais atenção. A realidade do povão, feliz enquanto existir o circo e o pão.

Juntar as coisas,

Desligar o computador,

Se arrepender de tudo que não foi feito, amanhã o dia vai ser cheio, igual a lata de sardinha, a mesma da vinda será a da volta, um verdadeiro teste de sentidos, esfregam, fedem, falam e não usam os malditos fones de ouvido. Que inveja das motos, um dia compro uma, mas, ainda tenho as contas, odiosas contas.

Em casa, comida caseira verdadeira, a do restaurante estava mais gostosa,

Televisão,

Jornal,

Mortes e roubos na cidade, mais roubos na política, estes provocam muitas mortes, mas, vamos esquecer de tudo, mais tarde tem novela, tem futebol e realidade enlatada, será que é real uma casa com câmeras? A minha não as tem, deve ser este o motivo de ganhar tão mal.

Meu time perdeu, amanhã, além de virar sardinha, terei que aguentar gozação, culpa do maldito juiz ladrão que anulou o gol do meu mengão, e ainda dizem que só roubam a favor do rubro-negro.

O que falaram mesmo da política? Esqueci, não importa, só tem safado no planalto, na próxima eleição voto no primeiro que prometer aumentar o salário, quem sabe finalmente compro a moto?