Texto qualquer

 

Este é Um texto que escrevi há algum tempo, não tem título mesmo e não quero me dar ao trabalho de escolher um.

 

Aquele dia foi o melhor da vida dele, acostumado a não ter o que comer, encontrou o que dadas suas condições, era um banquete.Dentro da embalagem metálica amassada, um bife, o sabor ainda melhor do que se lembrava, arroz, feijão e batatas, nada estragado.

Comeu com pressa, queria ter uma mesa e uma cadeira, sentar e saborear aquela dádiva que no passado seria atribuída a um deus bondoso, mas agora já sabia que a bondade desse só atingia os ricos.

Não foi só a comida que tornou especial aquele dia, uma senhora na rua o olhou e disse: Bom dia! Aquelas palavras tão comuns para outros, para ele significavam mais, ter sua existência certificada por alguém era bom, daquela forma e não a cara de desprezo padrão que recebia quando acontecia de olharem para ele.

Sentiu-se quase um cão. Absurdo dizer isto? Não, apenas a realidade, os animais despertam algo bom nas pessoas que uma mão estendida a pedir ajuda não consegue.

Vida de sofrimento, qual era seu pecado? Aos nove anos parou de pedir a deus, sabia que o único pão encontrado mofado no lixo não se multiplicaria para toda a família assim como o pouco dinheiro que o pai tinha e entregou ao pastor não voltou como bençãos, nem um saco de arroz como o pai reclamava. Agora deixava tudo no bar, não era bastante para deus nem para comida, mas dava para pinga.

A mãe desapareceu durante a noite, cansada de apanhar do marido bêbado ou morta e escondida pelo mesmo como alguns suspeitaram. Nunca soube a verdade pois a mãe nunca apareceu viva ou morta e o pai…o pai foi seu primeiro homicídio.

Morte na Praia (O Corpo)

O tempo estava ruim, nuvens escuras anunciavam chuva, mas resolvi caminhar bem cedo na praia, com meus chinelos nas mãos para deixar os pés em contato com a fria areia, o som das ondas me fazia relaxar até o momento que soltei um palavrão, maldita tampa de cerveja, achei melhor me calçar de novo.

Olhei o horizonte, pode parecer estranho mas, mesmo nublado, me pareceu mais belo que nos dias ensolarados, segui adiante, e contornei uma pedra grande, por um instante pensei ter flagrado uma garota fazendo topless, mas ela estava muito quieta, desmaiada? bêbada? Morta! A areia tinha sangue.

Quem faria algo assim com tão bela garota? E aquele corpo? Nem mesmo um artista grego da antiguidade seria capaz de esculpir tal perfeição, curvas e volumes genorosos, que belo corpo.

Não percebi quando outros apareceram, silenciosos, atônitos, a olhavam como um moleque que encontra seu brinquedo estragado, tinham nos olhos a vergonha de admirar uma beleza morta.

Ah, aquele corpo, mataria de inveja a garota de ipanema e inspiraria dezenas de belas canções sem que fosse possível retratar seu real esplendor.

Até mesmo os policiais pareciam pesarosos com aquela cena, nos comentários da multidão que se formou, aquela era uma prostituta da região, bem, não poderia ser diferente, um corpo como aquele tinha mesmo que ser vendido, não dava para ser ter algo assim de graça.

Passados alguns dias do ocorrido, uma manchete de jornal pôs fim ao mistério da morte da prostituta: Presa a assassina da praia.

Hoje é o seu dia…

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“Hoje é o seu dia, que dia mais feliz…”

Ou ao menos era pra ser, meu aniversário, comemorar mais um ano de sobrevivência, trabalhando, estudando, seguindo regras, acordando na hora, cumprindo prazos, vestindo a roupa da moda, consumindo, indo à igreja (nunca li a Bíblia…um livro que começa com bonecos de barro e cobras falantes não me prenderia a atenção, não é mesmo?), pagando contas e impostos, votando em pessoas que não confio, alimentando meu cachorro… é, finalmente algo bom, alimentar o duque era um motivo para comemorar minha vida…

“Hoje é o seu dia, que dia mais feliz!”

Pilotando sua vida… (Texto de Dani Lima)

Obs: Normalmente não posto outros textos aqui, mas, gostei muito deste de uma amiga e resolvi compartilhar com as pessoas que acompanham meu blog.

“E sentia que o jeito era aprender viver sozinha, que nada seria capaz de mudar seu destino de girl alone… tinha apostado todas as fichas novamente, dessa vez daria certo, não tinha porque dar errado. Eram parecidos, até suas loucuras eram semelhantes, gostavam de várias coisas em comum, se divertiam juntos, bebiam, tinham fantasias, se admiravam. De repente o encanto acabou, tudo começou ficar sem graça, sem sal, por mais que tentassem, não conseguiam se entender, ainda queriam se amar. Mas será que resolve querer amar? Ou amor apenas acontece, mesmo sem querer. Acho que querer amar é um erro, basta amar e ponto. Quando se quer amar ou continuar amando, é sinal que não existe mais amor. Agora era voltar pra velha rotina, ou tentar viver uma vida diferente, apostar em outras histórias. Quem sabe agora tentar fazer tudo errado, pra ver se dá certo. Porque tentou fazer tudo certo, como um sonho de menina, que sempre espera seu príncipe encantado, mas na verdade era uma garota rebelde, que gostava de beber, dançar e andar de moto, tentava ser como as outras, como uma esposa comum, com suas roupas bonitas e seu perfume doce. Mas no fundo, desejava viver intensamente uma vida fora dos padrões, talvez por isso o universo sempre conspirava pra que aquela vida certinha não desse certo, jogava em sua cara que ela não fazia parte do que é usual, certo, sensato. Seu destino já estava traçado…”

Por Dani Lima

Segue o endereço do blog dela, que tem muitos assuntos femininos (roupas, acessórios, maquiagem e essas coisas que ocupam grande parte da mente feminina…rs), recomendo às garotas e rapazes que queiram conhecer melhor as mulheres:

http://diariamentedani.blogspot.com.br/

Índice de Contos, Crônicas e Reflexões

Para facilitar a vida dos leitores e também a minha, vou deixar esse post com os links de todos os contos do blog em ordem cronológica! Ele pode ser acessado pelo link que fica em cima (Índice Geral) e será atualizado toda vez que um novo texto for postado. Não deixe de ler e comentar cada um deles, ok? Abraço e muito obrigado pela visita!

1 – Os Perigos da Lua Cheia (Contos de Taverna)

O projeto Contos de Taverna reúne contos criados para servir de plano de fundo em um livro de fantasia medieval, mas o projeto está parado :(.

2 – A Premonição

Esta é uma história que faz parte do meu livro Zumbis: Epidemia Mortal, segundo título da Série Zumbis.

3 – Na Estação

O primeiro dos meus contos inspirados em situações cotidianas.

4 – Rede dos Desejos

Sobre um relacionamento em decadência e a internet.

5 – Conto de Um Qualquer – Reflexões

Pensamentos mórbidos.

6 – Casamento da Princesa – Falsa Promessa nos Contos de Fada

Uma crônica onde falo dos contos de fada e sua influência nas relações das mulheres. Obs: O personagem/ Narrador é uma mulher.

7 – O Cavalo Azul (Contos de Taverna)

O projeto Contos de Taverna reúne contos criados para servir de plano de fundo em um livro de fantasia medieval. Este foi criado ao acaso (estilo repente…rs) e o coloquei entre os demais do projeto, é uma estória infantil e como o anterior (Perigos da Lua Cheia) procura dar explicações para fenômenos e particularidades da natureza em um mundo de conhecimento científico bastante limitado.

8 – Perdido

Conto sobrenatural.

9 – Mais um Dia

Crônica.

10 – Escuro

Crônica/ Reflexão sobre a condição humana.

11 – A Sutil Arte de Jogar Merda no Ventilador

Poema cômico.

12 – Virei Bruxo

Texto ganhador da segunda colocação no Concurso Desventuras em Books.

13 – Dia de Decisão

Conto sobre futebol e violência.

14 – Eu Zumbi, Você Zumbi…Nós Zumbis.

Reflexão sobre a realidade dos Zumbis, ou será a nossa?

15 – Quero Dormir

Reflexão.

16 – Reflexos

Conto de terror.

17 – O Tempo e os Erros

Reflexão.

18 – Quem Quero Ser

Reflexão.

19 – Hoje é o seu dia

Crônica sobre aniversário.

20 – O Calor da chuva

Crônica.

21 – O Medo da Morte

Reflexão.

22 – Morte na Praia (O Corpo)

Crônica sobre a valorização do corpo e banalização da violência.

Eu Zumbi, Você Zumbi…Nós Zumbis.

Sem pensamentos, sem vida, vagando em busca de comida, sobrevivendo sem viver, este é o Zumbi que vemos logo pela manhã, na rua, nos carros, nas padarias e nos ônibus, ele vai para o trabalho ou para a escola, acreditando em falsos objetivos, sonhando com algo melhor após a vida, mas, e a vida?

Esses zumbis querem dinheiro e dão de tudo por isso, tempo, amigos, família, e mesmo assim, poucos conseguem, será que vale à pena chegar ao fim da vida sem ter de fato vivido? Em um dia, vinte e quatro horas, oito de sono, oito de trabalho, uma ou duas no trânsito, quase duas na televisão, levante e se olhe no espelho, aquele que se arrasta em busca da carne é você, que vive quatro horas por dia, preso aos parâmetros de uma sociedade que não escolheu, que lhe foi empurrada garganta abaixo no dia do seu nascimento.

Quando teve escolha? Alguém tem escolha? A liberdade existe atrás de grades que limitam o que você pode ser, gostar, querer ou fazer, seus hábitos e crenças são herdados, é apenas mais um infectado, seguindo o bando em busca do que comer.

E a internet? Um grande paradoxo, reduz distâncias, mas cria barreiras, inibe a sensibilidade, nos torna menos humanos, cada vez mais zumbis, mandando beijos para pessoas de quem sequer apertaríamos as mãos na vida real, nos relacionando com estranhos e acreditando nas máscaras que eles usam, na verdade, acreditamos até nas nossas próprias.

É hora de assumir, somos malditos mortos vivos, escravos da sociedade, da mídia e da tecnologia com a internet, celulares e outros aparelhos que virtualmente aproximam, mas na realidade são obstáculos à interação social real, criam monstros de insensibilidade, egoístas bestificados, enfim, Zumbis!

Nós somos todos Zumbis!

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Dia de decisão

Futebol-Bola

Aquele era um dia de festa, meu time, o glorioso tricolor, em ótima fase, disputaria a final do campeonato contra nosso maior rival. Em campo teríamos o super craque Norberto Pedalada, Carlinhos a revelação do campeonato, Pedrão e Beto, a dupla de zaga da seleção e o experiente goleiro Pantera, esses os principais, mas, o time todo estava perfeito, funcionava como um relógio, cada peça desempenhava seu papel, sentíamos que o título era nosso e o jogo uma mera formalidade.

Todos os ingressos vendidos, o meu já estava comprado e separada sobre a cama estava a minha camisa da sorte com o número onze do Pedalada, artilheiro da competição com 13 gols.

A ansiedade era enorme, não via a hora de começar o jogo, o grito de campeão entalado na garganta. Escondi a camisa na mochila, meu pai não sabia que eu ia ao jogo, ele sempre disse que era perigoso ir ao clássico, imagine se soubesse que eu iria para aquele que era um decisão? Eu não me preocupava, fazia parte da Força Tricolor a maior torcida organizada do glorioso.

No ônibus, cantávamos, empolgação total: É campeão! É campeão! E continuou assim até o estádio, os jogadores entrando de mãos dadas ouvindo o hino vindo das arquibancadas, eu tentava imaginar como eles se sentem lá embaixo. Não paramos, vibrando durante todo o primeiro tempo, apesar do zero a zero, o Tricolor tinha o jogo nas mãos, o gol logo sairia, na torcida, muitas faixas de campeão antecipavam o resultado.

No segundo tempo o jogo ficou mais difícil, eles se defendiam, jogo covarde, retranca e muitas faltas, mesmo assim, Pedalada em um momento de inspiração fez valer sua habilidade, driblou dois defensores e ia fazer um golaço quando foi derrubado pelo goleiro…Pênalti claro, e o juiz apitou! A torcida vibrou e já fazia festa, o artilheiro ajeitou a bola, tomou distância e partiu para cobrança, com categoria, o goleiro caiu para direita e a bola segui para o lado esquerdo e caprichosa, tocou a trave e saiu pela linha de fundo, inacreditável.

Continuamos mandando no jogo, mas, aos quarenta e três minutos, quando parecia que eles queriam para levar a decisão para prorrogação, Carlinhos prendeu demais a bola e foi desarmado, o contra-ataque foi veloz, um cruzamento rasteiro e o chute, Pantera foi nela, se esticou, mas, a bola passou por ele e parou no fundo das redes…Silêncio total do nosso lado, no campo, o time se desestabilizou, por uma entrada dura, Beto foi expulso, mesmo assim, os bravos tricolores partiram pro ataque, continuamos com esperança, mas, não deu, fim do jogo.

Do lado de lá, comemoração e gozações, do nosso, a raiva: “Juiz ladrão, tenho certeza que não foi impedimento naquele lance do primeiro tempo, era gol certo!”, “Teve invasão na hora do pênalti, tinha que ter anulado a cobrança”.

Na volta para casa, revolta, três caras vinham na rua, um deles com a bandeira do adversário, exibiam um sorriso idiota na cara, por dentro, debochavam dos tricolores, eu tinha certeza! Mas não ficaria barato, éramos a Força Tricolor, ninguém faz pouco caso de nós, partimos pra cima e quando tentaram reagir, era tarde, estavam cercados. “Calma” um deles pediu, respondemos com chutes e socos, nossas mãos e pés carregavam a frustração pelo pênalti perdido, a bola roubada e o gol sofrido.

Dois deles fugiram, o que ficou não parecia que se levantaria, mas conseguiu abrir sua mochila, enfiou a mão lá dentro e puxou o que não esperávamos:

Uma camisa onze tricolor do Pedalada.