Qual o motivo desta minha atração pelos simples traços? Um ar de lerda inteligência me fascina tanto quanto uma lâmpada ao inseto, parece transmitir o mesmo calor e faz nascer um lampejo de anseio pelos excessos da luxúria. Ela é linda em seu olhar displicente.A viagem acaba e a admiro uma última vez, cabeça encostada na janela, olhos agora fechados, como uma bela e delicada princesa adormecida. 

Apesar do fascínio, a despedida foi indolor e seguida de uma nova nano paixão, traços asiáticos, boca pequena entreaberta, visão de deliciar os olhos, mas que durou ainda menos, apenas o tempo de chegar à escadaria sem perder de vista o sofisticado corte daqueles lindos e curtos cabelos negros.

Quão perverso seria um ser superior ao criá-las tão belas e nos proibir de ter de todas um sorriso, um abraço ou um beijo ardente?

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Pensando…

Somos racionais?O desejo deve ser considerado pecado? Querer sentir algo único é uma falha grave de caráter ou apenas mais uma de várias e inúteis convenções sociais que nos limitam e causam frustrações? Chegar ao fim da vida sem explorar as possibilidades que se apresentam é sábio ou apenas uma mostra de que os costumes nos impedem de aproveitar nosso curto tempo de existência da melhor forma possível?

Sem ideia…

Vontade de escrever eu tenho, só me falta o motivo, o tema, uma inspiração genuína. Quando tal desastre acontece, a mim só resta encarar a folha (específicamente hoje, um editor de textos!), e tentar extrair algumas gotas do suco de ideias que está quase no fim…quem sabe consigo uma semente e dela brote uma enorme árvore de frutos brilhantes para que sejam feitos litros desta bebida?

De qualquer forma, não parece que vai acontecer agora, imediatismo atrapalha, é preciso paciência para uma boa colheita!

Abraços!

A vida que me prende

Hoje me levantei, fiz as mesmas coisas que fiz ontem, talvez em outra ordem, não lembro, mas, automaticamente e sem pensar, por ser exatamente o que faço de segunda à sexta-feira, até os atrasos e lamentações tem sido os mesmos. Qual o sentido disso? Talvez para os religiosos seja fácil suportar, para eles é como esperar a chegada das férias, mas, promessas vazias não me enganam, estou aqui para viver e sinto que não tenho feito isso.

Me alimento com o que sei que me faz mal por não ter tempo ou ser preguiçoso demais para me cuidar, sei que preciso de atividade física, mas até a mental tem me cansado, vivo um teatro, onde o papel já está definido e não se tem espaço para o improviso. A arte é vida mas a vida está longe da beleza expressada por um artista.

A morte um dia chegará, estarei eu satisfeito com o que fiz até lá? Meu maior temor não é encontrar o fim, mas ser esquecido, isso apavora. Quantos bilhões de anônimos passaram por este planeta? Não quero ser um deles. Pode parecer confuso mas, tampouco desejo ter fama. Falo desta fama efêmera, da “modinha”, enfim, quero significar algo na vida das pessoas e esse algo é o que ainda não tive o prazer de descobrir.

Estou preso à vida sem acreditar que exista algo além da morte, não verei o que acontece aqui quando aqui não mais estiver. Não serei alma, não serei estrela, não encontrarei paz em um paraíso nem tormento eterno em um mar de chamas, meus êxitos serão aqui, os sofrimentos também. A vida que me prende é um tesouro e um lamento, uma única chance de fazer dar certo.

Viajando no “bom trabalho!”

Logo cedo recebo uma mensagem da namorada: “…bom trabalho!”. A minha resposta: “trabalho e bom na mesma frase? Impossível!”, mas não parou na brincadeira, trabalho é uma obrigação que nos fazem acreditar ser opção.
Sempre trabalhamos pelo nosso sustento, desde as cavernas é verdade, mas nunca foi gostoso, seja com um chicote verdadeiro e correntes nos tornozelos ou a pressão e as amarras da sociedade.
Fazer o que gosta? Mais uma mentira bem vendida, muito diferente de ganhar grana com uma diversão, tornar o que se gosta obrigação estraga tudo, não faz sentido.
Abrir uma folha com a liberdade para desenhar é diferente de pegar o lápis com parâmetros definidos, não se compara.
Eu estou indo para o trabalho e meu plano para o futuro a curto prazo perfeito com certeza inclui a hora de sair do meu martírio diário, mas, e a grana? Sentiu a obrigação? Água tem preço, comida tem preço, meios de produção tem preço, terra tem preço (Bem alto por sinal!).
Estão comprando tempo de nossa vida, mas se eu não quiser vender, eu vivo?

Distribuir o amor

Qual o problema em gostar de todas?

 Cada uma com seu particular e delicioso sorriso, aquele olhar que diz (quase) tudo e os acessos de raiva que terminam em beijos.

Que mal faz querer ter de todas o carinho reconfortante e um sorriso de cumplicidade?

De quem é a lei que me faz ser privado do doce sabor de ter a todas em meu abraço protetor? Afinal, isso não seria distribuir o amor?

 

O Medo da Morte

A única certeza da vida é a inevitabilidade de seu fim, gastamos muito de nosso tempo imaginando o que nos aguarda depois da existência, religiões afirmam ter a resposta em seus deuses hipócritas e contraditórios, vendem a ilusão que a maioria quer aceitar e por mais que em seu íntimo aquilo não faça sentido, eles tem medo de perguntar, preferem a falsa certeza à verdadeira dúvida.

Eu temo a morte, não por temer que o paraíso negue meu visto de permanência, e sim por ela calar minhas palavras, por me fazer deixar de sentir o vento de encontro ao rosto, suave como uma carícia feminina ou a queda de uma pluma.

O medo da morte é real, crenças, santos, deuses e outros não tornam seus seguidores imunes à ela, um fantasma que nos persegue com a calma de quem tem a certeza de que um dia nos alcançará.